| Polícia troca tiros, apaga delinquente |
| Imprensa sensacionalista chega, pega sangue ainda quente |
| O choro daquela mãe ninguém entende |
| Ainda se sente no ar, o cheiro da agonia |
| Daquele mala que um dia se dizia: |
| «Cara forte», «cara de sorte», vê se pode |
| Presídio, se safou da ciranda da morte |
| E nada pode estampar da face esfacelada |
| Frases falsas, criadas |
| Em bancas de jornais foi o que sobrou |
| Com licença, seu doutor, ou o que for |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices, hein? |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices? |
| Falo sério, com tédio, sem mistério |
| Seu império, o sistema que sustenta está falido |
| É fabrica em série de bandido |
| O final, nosso velho conhecido, queima de arquivo |
| Deram sumiço, será que eu corro risco? |
| Se nós venceremos? Não! Não perdoaremos |
| Com licença, seu doutor, ou o que for |
| A rede de intrigas se formou e o derrotou |
| E ao contrário do que você pensa |
| Sua sentença não será cumprida na cela |
| E sim numa favela, igual aquela |
| Que aparecia na tela da TV |
| E você de camarote, ousava dizer: |
| «Nada disso existe, só vendo pra crer» |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices, hein? |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices? |
| É, você está em maus lençóis |
| Viverá um tempo como nós |
| Sentirá à flor da pele a força do sistema que repele |
| Descobrirá que a delinquência tem duas faces |
| Uns aprontam porque querem, outros por necessidade, é |
| Fim de semana sem grana |
| De segunda a sexta-feira a geladeira está vazia |
| Sábado e domingo a mesma agonia |
| O barraco só tem quarto e sala |
| Uma senzala onde dorme um sobre o outro, não tem esgoto |
| E o que dizem de nós aumenta o desgosto |
| Pau que nasce errado permanece torto |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices, hein? |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices? |
| E no último dos lances, na derradeira das chances |
| Você pedirá perdão, será em vão |
| Pois é isso que acontece hoje |
| São gritos aflitos que poucos, muito poucos ouvem |
| Todo dia a esperança cai por terra |
| Todo dia tombam inocentes nessa guerra |
| O final, nosso velho conhecido, chega a turma do «deixa disto» |
| Gente, sem compromisso |
| Miami no toca-disco e o Brasil continua nisso |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices, hein? |
| Quem? |
| Quem foi que disse quê o que eu falo são tolices? |