| Eu não ouvi bem |
| Então vai precisar gritar |
| Entre o ruído forte |
| E o silêncio da morte |
| Algo que corte essa ideia errada |
| A minha porta fechada |
| É o que não me deixa escutar |
| Da água pro vinho |
| O rio tinto sobe serra acima |
| O sangue novo impede a vida de terminar |
| No começo da queda |
| É que a vontade de subir se firma |
| Mesmo que esteja longe demais pra voltar |
| (Melhor acreditar que é miragem) |
| A noite aparece e escurece o brilho dos olhos |
| Reflete um mundo que há muito adoeceu |
| Sem palavra que acalme |
| Sem mentira que cole |
| Os fragmentos do povo |
| Que nem com o tempo cresceu |
| Coberto de razão e de formigas |
| Se foi mais um herói |
| Se um preço alto tem a carne |
| Maior tem o ideal |
| Gostou da briga acreditando |
| Que tiro de amor não dói |
| A ignorância aliviando |
| O plano material |
| (Melhor acreditar que é miragem) |
| (Qualquer vento vai te levar) |
| (Pra fora da mente) |
| Já não sou mais eu quem está na direção |
| Viu, nem me viu |
| Quem me faz flutuar |
| (Se a dor não sai) |
| Pode andar sobre o mar |
| E fazer, refazer, começar, terminar |
| (Simplesmente não lembro mais) |
| Um dia após o outro |
| A minha vida se escreve |
| Por mais que seja um peso leve |
| Minha pegada afundou |
| Na corrida do ouro |
| Segundo lugar não serve |
| E acomodar com a derrota |
| É renegar quem eu sou |
| (Melhor que acreditar numa imagem) |
| (Qualquer hora eu venho te levar) |
| (Clareando a noite) |
| Já não sou mais quem está nessa direção |
| Viu, nem me viu |
| Quem me faz flutuar |
| (Se a dor não sai) |
| Pode andar sobre o mar |
| E fazer, refazer, começar, terminar |
| (Simplesmente não lembro mais) |
| Viu, nem me viu |
| Quem me faz flutuar |
| (Não sente mais) |
| Pode andar sobre o mar |
| E fazer, refazer, começar, terminar |
| (Finalmente a dor se vai) |