| Pombo-correio da rua |
| Treinado a vê-la com uma lupa |
| Falo com mais otário |
| Ao mais filho da puta |
| Tenho a visão de um lince |
| E o ouvido de um gato felino |
| Por ser latino |
| Mas quase albino |
| Aprendo mais do que ensino |
| O meu nariz não empino |
| Muito menino sobe ao cimo |
| E é estragado com mimo |
| Prossigo a cagar no estilo |
| Calmo e tranquilo |
| Numa mão 1 mic |
| Noutra 1 kilo |
| Gasto o que tenho |
| Ganho pouco mas bem |
| Porque o que tenho |
| Não o devo a ninguém |
| 5 euros ou 100 |
| É só papel |
| Mas comes disso ao jantar |
| Comando o sonho |
| Pois a vida já tem par para nos controlar |
| Tento levar a confiança |
| A bom porto |
| Deixo a esperança no rasto |
| De cada sócio que encontro |
| Do esgoto do Porto emerge a cena mais pura |
| É como é desde o berço à sepultura |
| Quem sabe nunca esquece |
| Esperei um pouco mas já vi |
| Nada de novo aparece |
| Aqui tudo acontece sou o reflexo de cada verso |
| Não fosse eu quem os fizesse |
| Fecha a taberna, o Berna já não hiberna |
| Sossega a atitude é eterna |
| És Mc, mas não pões uma perna na berma |
| Nem de lanterna observas bem as provas |
| E quando vires uma lá fora até te borras |
| As reformas dos cotas |
| Os fechos das portas |
| Não peças alguém que escreva bem por cima de linhas tortas |
| Conas são grandes porcas |
| Após umas voltas, ficam logo todas soltas |
| Passo por cima como um carro queria no trânsito |
| Germino cada lição no meu campo semântico |
| Sê paciente como sexo tântrico |
| O climax atinjo |
| Algures entre o maníaco e o romântico |
| Com a balança do zodíaco |
| Equilibro 2 pesos |
| Armo o Diabo e o Anjo |
| Para se mantenham ilesos |
| Tá dito e feito |
| Caso não manjes azar |
| Só não ignores a cena |
| Pois ela há de voltar! |
| Quem sabe nunca esquece |
| Esperei um pouco mas já vi |
| Nada de novo aparece |
| Aqui tudo acontece sou o reflexo de cada verso |
| Não fosse eu quem os fizesse |